sábado, 17 de maio de 2008

2º Congresso Municipal da União da Juventude Socialista de Foz do Iguaçu
17 DE MAIO - 14h – FOZ PRESIDENTE HOTEL

Documento Base

A União da Juventude Socialista de Foz do Iguaçu (UJS), por intermédio de sua Direção Municipal, propõe o inicio de um profundo debate e reflexão a respeito de seu papel na política municipal de juventude e sobre sua própria organicidade, a fim de construir junto ao seu coletivo uma UJS mais forte, participativa, abrangente e autônoma, acreditando no socialismo como único sistema econômico superior ao modelo nefasto vigente e entrando em ação frente às massas na luta diária contra o capital e seus difusores. A UJS Foz vive uma nova fase. Isto é um fato e deve ser encarado por seus militantes e filiados como uma conquista valorosa, fruto do trabalho coletivo de todos.
Nos últimos meses, a UJS de Foz do Iguaçu foi para a rua. Conquistou novos filiados através de uma política ousada e incansável, participando como protagonista de discussões de interesse público como as que dizem respeito ao sistema de transporte de Foz do Iguaçu, classificando-o frente as autoridades na câmara de vereadores como o “pior e mais oneroso sistema do Paraná”, levando à imprensa seu descontentamento e suas reivindicações como o passe livre, a criação de uma empresa municipal de transportes, a expansão das linhas e horários e a redução imediata da tarifa.
Foi ao combate frontal junto aos empresários do setor, deixando claro sua posição contrária ao capital e favorável ao cidadão trabalhador e ao estudante.
A UJS Foz participou junto aos estudantes da formação de centros acadêmicos em instituições de ensino superior de Foz do Iguaçu e em algumas da região, orientando e, em alguns casos, tomando frente no processo de politização dos universitários. Foram inúmeros centros acadêmicos criados e outros em processo de consolidação.
Participou ativamente das discussões sobre os Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), seguiu em frente com sua gestão pioneira no DCE da UDC. Atuou de forma guerreira na eleição do DCE da Unioeste e, desta disputa, a UJS se considera vitoriosa por ter atingido um grande nível no debate político, por ter mostrado unidade de ação e pelos novos quadros que engrossaram suas fileiras.
Este quadro mostra que a UJS de Foz do Iguaçu é a única juventude organizada com forte ideologia e capacitação teórica em nossa cidade e isto deve ser encarado com orgulho por nossos militantes e filiados.
A UJS Foz foi solidária com diversos movimentos sociais, participando de eventos, passeatas, manifestações, ciclos de debates e intervenções. Esteve ao lado dos trabalhadores, dos difusores culturais e das minorias excluídas do sistema. Levantou a bandeira dos povos latino-americanos, defendendo publicamente o apoio aos governos progressistas da Venezuela, Bolívia e Paraguai. Reforçou seu apoio ao governo Lula, por suas ações no combate a fome, miséria e a exclusão e por sua atuação nos campos da tecnologia, educação, saúde e relações exteriores.

Mostrou-se atenta as ações da mídia elitista brasileira, se posicionando contra a deformação da notícia, a unilateralidade dos pontos de vista a excessiva alienação das massas. Posicionou-se a favor do software livre, da inclusão digital e do acesso à informação, acreditando na autonomia do individuo como forma de combate ao modelo capitalista vigente.
A UJS iniciou sua inserção nos movimentos autênticos, com destaque ao movimento Hip-Hop, participando da conferência municipal e se posicionando à favor da criação do Nação Hip-Hop Brasil em Foz do Iguaçu. Criou uma cadeira em sua direção municipal para membros do movimento e formou o Núcleo da UJS de Hip-Hop, acreditando na força de abrangência da cultura Hip-Hop e na sua mensagem social e política.
As ações desenvolvidas pela UJS Foz auxiliaram na sua consolidação como força política atuante e organizada no âmbito municipal, estadual e nacional. A participação da UJS Foz nas Conferências Livres, na Conferência Municipal e na Conferência Estadual de Juventude é vista como uma importante plataforma política rumo à mudança de foco da atuação da UJS Foz, deixando de ser apenas uma juventude contestadora para se tornar uma força propositora de projetos e políticas públicas. Tais metas vêm sendo atingidas com a participação de integrantes da UJS Foz em importantes eventos sobre Políticas Públicas para a Juventude. Foi da UJS Foz o único delegado de Foz do Iguaçu na Conferência Nacional de Juventude, realizada no final de abril, em Brasília. O trabalho intenso da UJS frente às Políticas de Juventude tem colhido importantes frutos. O convite para a participação da nova Secretaria Municipal de Juventude de Foz do Iguaçu demonstra a visibilidade política atingida nos últimos meses.
Impulsionada com as conquistas políticas e com os novos quadros, a UJS Foz, em ressonância com as conquistas da juventude socialista brasileira nos anos de governo Lula, propõe uma UJS ainda mais atuante, fortemente inserida no contexto político municipal e consolidada como força de vanguarda na juventude municipal. Iniciamos uma busca pela primeira cadeira da UJS na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, buscando conquistar ainda mais espaço na política regional e estadual, reforçando nosso ideal de luta pelos direitos dos jovens trabalhadores, estudantes, desempregados e excluídos.
A UJS Foz quer ainda, com o apoio de entidades estaduais e nacionais, reestruturar o movimento secundarista municipal de forma autônoma e ideológica, entendendo que os secundaristas estiveram sempre à frente aos movimento estudantil e merecem espaço, respeito e poder de decisão. Para isto, visa um trabalho direto para a criação de grêmios politizados e atuantes em diversas escolas públicas de Foz do Iguaçu, repudiando a “compra” de grêmios e o assistencialismo político.
Neste congresso 2008, a UJS Foz irá formar sua nova direção municipal, abrindo espaços para os novos militantes e formando sua executiva. Irá, também, unificar seu discurso e suas ações para participar dos congressos estadual e nacional, onde mostrará sua nova cara, sua nova forma de atuação e seus novos compromissos frente à sociedade iguacuense: politização, autonomia e luta social.


Direção Municipal

domingo, 4 de maio de 2008

Impressões Urbanas – Maio de 2008

Cidade Cidadã

Qual o significado da cidade para o cidadão? Como um morador, seja da área central ou da periferia, vê o espaço que habita, trabalha, se diverte e organiza sua vida?

Morar em uma área urbana deixou de ser sinônimo apenas de conforto e acesso aos serviços, dificilmente encontrados em áreas rurais ou em regiões distantes do processo de urbanização. Viver nas cidades é conviver com a falta de serviços básicos para a maioria da população, com a exclusão crescente e com a violência urbana.

Nossas cidades de médio porte (200 a 500 mil habitantes), apesar da boa qualidade de vida quando comparada com as grandes metrópoles, começam a observar a expansão de problemas antes tidos como característicos dos grandes centros. Tais problemas vão desde prestação de serviços básicos para atender não só sua população, mas também os habitantes de cidades próximas que não contam com uma rede de serviços de saúde e educação consolidada, até questões de organização do espaço urbano com a ocupação do solo, o transporte de trabalhadores e estudantes, o tráfego em áreas centrais ou nodais e a distribuição dos equipamentos urbanos de forma mais justa e abrangente.

Analisando especificamente o caso de Foz do Iguaçu, esta problemática é rapidamente percebida. Muito se fala das altas taxas de crescimento populacional e urbano depois do inicio da construção de Itaipu, considerada a maior responsável pelo fluxo migratório para esta região, mas ainda hoje (mais de vinte e cinco anos do início das obras) as ações efetivas de adequação do espaço urbano para atender a demanda são tímidas, momentâneas e contraditórias.

A cidade ainda não resolveu os seus vazios urbanos nas proximidades da área central, onde verdadeiros “latifundiários urbanos” tomam conta de terrenos e grandes áreas, destinadas à especulação imobiliária e contribuindo para a violência, favorecida pelos vazios demográficos. O estatuto das cidades prevê medidas públicas de combate a este tipo de propriedade em área urbana, mas pouco se tem feito para punir estes especuladores. Enquanto isso, Foz do Iguaçu vai ampliando suas fronteiras, levando trabalhadores para bairros mais distantes da área central e, consequentemente do seu local de trabalho e lazer.

Tais bairros são criados sem as devidas condições mínimas de urbanização e se tornam verdadeiros “dormitórios”, sem áreas de lazer, esporte, oferta de serviços básicos e transporte coletivo acessível, eficiente e dentro das verdadeiras necessidades da população.

Na área central, a padronização de calçadas já é uma realidade, mas ainda encontra a rejeição de comerciantes e, principalmente, dos especuladores, prejudicando a movimentação de portadores de necessidades especiais, principais beneficiados com as calçadas, recebendo autonomia e respeito.

O transito vem se tornando cada vez mais complicado à medida que a estrutura viária se mantém inalterada há anos. Não contamos ainda com um desvio para os pesados caminhões que diariamente cortam nossa área central vindo (ou indo) para a Argentina. A fiscalização de transito é escassa e pouco pode fazer para conter abusos e organizar o acesso às vias centrais. Os engarrafamentos já são realidade, fruto do ineficiente planejamento e do transporte coletivo problemático e demorado.

Pensar a cidade e buscar entender como sua população vive e percebe o espaço à sua volta é essencial para tornar o meio urbano mais justo e acessível. Entender a organicidade do meio urbano auxilia na elaboração de políticas publicas que atendam a maioria da população e não uma meia-dúzia de indivíduos, enriquecidos com a ineficiência do atendimento à população. Projetar nosso município de forma humana é o primeiro passo para a completa valorização do cidadão, que passará a ver sua cidade como uma extensão de sua casa.

Luiz Henrique é iguaçuense, escritor, estudante de Arquitetura e diretor de formação política do PCdoB de Foz do Iguaçu. Escreve a coluna “Impressões Urbanas” em seu blog avidagira.blogspot e em publicações diversas.